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Cidades são cinza, mas China investe para se tornar verde PDF Imprimir

Nas grandes cidades da China, uma densa camada de poluição ainda esconde o céu, que parece sempre cinza. Os moradores juram que é apenas neblina, mas a quantidade de indústrias e carros não deixa acreditar.

 

Em cidades como Pequim e Qingdao, que há três anos tinham o céu azul na véspera dos Jogos Olímpicos, é difícil avistar prédios a mais de três quilômetros de distância. Na época, em 2008, o governo paralisou algumas indústrias para deixar o cenário mais agradável para os turistas. Hoje, o país tem duas das dez cidades mais poluídas do mundo e é o maior emissor global de gás carbônico.

 

No entanto, agora o governo se diz disposto a tentar perder estes títulos e vem anunciando pesados investimentos e apoios às companhias empenhadas em contribuir com suas metas verdes. Em fevereiro deste ano, o primeiro-ministro chinês Wen Jiabao afirmou na Assembléia do Partido Comunista que a China não pretende ter uma alta taxa de crescimento “às custas de prejuízos ao meio ambiente.”

 

“Na prática, os incentivos para empresas e investimentos em tecnologias limpas, conservação ambiental e a substituição do carvão por outras fontes de energia chegam a R$ 630 bilhões no país, segundo cálculos do iG com base em relatórios, discursos de governantes e noticiários da imprensa chinesa.

 

Apenas em apoio às companhias que atuam em setores de energias renováveis ou tecnologias limpas, o governo chinês criou fundos que até o fim do ano passado somavam US$ 84 bilhões (R$ 136 bilhões), segundo o estudo “Economia limpa, planeta habitável – prontos para crescer”, da consultoria alemã Roland Berger.

 

O valor inclui subsídios para uso de terras e crédito a juros baixos.

 

O cartão de visitas dos projetos chineses para tornar o país mais pró-meio ambiente é a Ecocity, uma cidade ecológica para 350 mil pessoas.

 

O iG visitou o projeto e mais duas companhias que estão entre as centenas de favorecidas pelos benefícios estatais, a Suntech, maior fabricante do mundo de células para painéis solares, e a BYD, que produz veículos movidos à energia elétrica. No primeiro caso, a empresa teve apoio para adquirir terras e agora pede subsidios para vender ao mercado. Já a BYD tem vendido carros elétricos com 60% de desconto para o consumidor.

 

Além dos setores de energia solar e veículos elétricos, outros cinco foram apontados no plano quinquenal do governo chinês (para o período de 2011 a 2015) como prioritários para investimentos: alta tecnologia, novas matérias-primas, biotecnologia, farmacêutico e de tecnologia da informação.

 

Para acompanhar o desenvolvimento desses setores, a China pretende investir também US$ 222,5 bilhões (R$ 364 bilhões) em conservação ambiental e em reestruturação da produção industrial.

 

O objetivo do país é diminuir a dependência do carvão como gerador de energia. Atualmente, cerca de 70% do consumo energético chinês vêm dessa fonte fóssil, segundo pesquisadores da Universidade de Tsinghua, e a meta é reduzir em 17% a intensidade do mineral por unidade do Produto Interno Bruto (PIB) do país.

 

Até 2015, os chineses querem elevar a 11,4% a proporção de combustíveis não-fósseis no consumo primário de energia do país, que em 2010 era de 8,3%.

 

Apesar de os esforços ainda não serem visíveis na qualidade de vida e no meio ambiente na China, já estão sendo considerados bons exemplos por instituições internacionais. O país foi reconhecido por superar os Estados Unidos como maior investidor mundial em energias renováveis, segundo a organização não governamental Pew Charitable Trusts. Com investimentos de US$ 35 bilhões (R$ 56,5 bilhões) em 2009, tornou-se líder global.

 

A China está também em primeiro lugar no ranking da Roland Berger de investimentos em tecnologias limpas, com US$ 45 bilhões (R$ 73 bilhões) em 2010, 25% dos aportes feitos em todo o mundo. Na segunda posição estão os Estados Unidos, com cerca de US$ 35 bilhões (R$ 57 bilhões).

 

O mesmo documento aponta o país como o que mais acelerou os investimentos nos últimos dois anos, com um crescimento anual de 77% entre 2008 e 2010.

 

 

Fonte: IG Economia

 

 

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