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| Relator vota contra fusão Sadia/Perdigão; julgamento é adiado |
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LORENNA RODRIGUES DE BRASÍLIA
O relator do processo de fusão entre a Sadia e a Perdigão no Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), Carlos Ragazzo, votou pela reprovação da fusão entre as empresas Sadia e Perdigão.
A fusão das duas empresas gerou a companhia BR Foods.
Em seu voto de mais de 500 páginas, que levou quase seis horas para ser lido, Ragazzo disse não haver alternativa para impedir que a operação cause uma concentração de mercado muito grande e prejudicial ao consumidor.
Além de Ragazzo, outros quatro conselheiros votarão e decidirão o futuro da Brasil Foods, empresa formada após a fusão em 2009. Se o Cade reprovar a operação, a empresa poderá recorrer ao judiciário, mas mais de 80% das decisões do conselho são mantidas pela Justiça.
Se o voto do relator for seguido, em prazo não divulgado as duas empresas terão que desfazer a operação.
O julgamento do caso Sadia e Perdigão, porém, foi adiado após um pedido de vistas do conselheiro Ricardo Ruiz.
PREÇOS
Ragazzo afirmou que a operação poderá levar a aumento nos preços dos produtos das duas empresas de até 40%.
"Raramente se vê, na análise antitruste, uma operação na qual a probabilidade de danos de mercado ao consumidor se mostra de maneira tão substancial e evidente. A aprovação desse ato tem o condão de causar aumento de preço e danos extremos aos consumidores", afirmou Ragazzo.
Segundo o conselheiro, juntas, as empresas não terão mais concorrentes à altura. Ele afirmou que os ganhos para a economia do Brasil não podem se sobrepor aos direitos dos consumidores.
"A única concorrente efetiva da Sadia sempre foi a Perdigão e vice-versa. Após a operação todas as opções de desvios do consumidor estarão sob controle de uma mesma firma. Estarão eles reféns", completou.
De acordo com o relator, a participação de mercado das duas empresas juntas ultrapassa os 60% em quase todos os mercados analisados.
OUTRO LADO
Em nota, a BRF informou que discorda do posicionamento do relator. "A companhia considera o pedido de vistas positivo, por entender que o caso é complexo e agora, com o pedido de vistas, os demais quatro conselheiros terão mais tempo para avaliar a questão".
"A aprovação da fusão é pró-competitiva e não trará prejuízo aos milhões de consumidores atendidos por suas marcas, que se beneficiarão das eficiências geradas pelo negócio, em especial com relação a efetiva queda de preços", acrescentou.
Segundo a empresa, os preços da BRF tiveram aumento médio de 3,6% em 2010, "índice bem abaixo da inflação". O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), índice oficial de inflação encerrou o ano passado em 5,91%.
Colaborou MARIANA BARBOSA, de São Paulo
Fonte: Folha.com |




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